quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Um pouco sobre respeito

Aproveitando esta manhã chuvosa, resolvi escrever sobre uma coisa que está faltando no mundo e que poderia evitar muitos confrontos desnecessários: respeito.

Ontem na fila de um banco praticamente vazio de clientes, na minha frente estava uma mulher que usava um lenço na cabeça, ela estava sendo atendida. Logo percebi que deveria ser de alguma nacionalidade/religião que prega o uso do acessório para esconder os cabelos. Ela também usava calça comprida e uma blusa de mangas também compridas.
Eu fico contente de ver gente com costumes diferentes, pois sempre podemos aprender algo novo com eles.

O tempo foi passando e o atendimento dela parecia estar um pouco complicado, já que estava demorando bastante. Um rapaz chegou e ficou atrás de mim na fila, até aí tudo bem, é para isso que servem as filas.
Só que ele começou a reclamar em voz baixa, ainda que audível, sobre a demora (estava em horário de almoço e poderia ficar sem comer se a situação se estendesse mais). Eu cheguei a comentar que poderia ser o sistema, já que esta é normalmente a razão/desculpa mais usada pelos funcionários de qualquer estabelecimento que usa os tais "sistemas".

O problema foi quando ele começou a brincar sobre a cliente.
-"Ai, por que não volta para Israel?"
-"Nossa, só falta ela mandar explodir uma bomba aqui."
-"Imagina se esse povo de Israel estoura uma bomba aqui?"

Eu fiquei incomodada, mas não vi onde chegaria uma discussão sobre desrespeito, falta de informação e brincadeira sem graça dentro de um banco.
Ignorei os comentários dele e o deixei ser atendido na frente.

Estamos passando atualmente por situações complicadas com o grupo terrorista Estado Islâmico e o caso de Charlie Hebdo, a revista que viu uma parte de seus cartunistas e funcionários serem mortos por conta de uma charge com a personificação de Maomé, algo proibido na religião islâmica.

Ainda acho que por aquele rapaz representar uma "minoria", que continua lutando por direitos de igualdade e contra a homofobia, ele poderia ter se comportado de outro jeito.
É por ser "minoria" que deviam se ajudar.

Ao menos eu penso assim.

Respeito é algo que deve ser dado e recebido todo dia e em qualquer situação. Mas parece que o tempo que meus pais gastaram me ensinando algo valioso assim, não foi usado pelos outros para fazerem o mesmo.

A moça atendida na minha frente poderia muito bem não ser judia, e sim libanesa, árabe, palestina ou qualquer outra nacionalidade e religião que peçam para que ela cubra os cabelos. Seria a versão mais séria de "confundir chinês, japonês e coreano, já que são todos iguais".

O leitor pode muito bem me confrontar, dizendo que eu poderia ter feito a diferença e dado uma lição de moral no rapaz, que eu poderia ter tentado.
Sim, eu poderia ter gastado o meu latim com alguém que deixaria as informações entrarem por um ouvido e saírem por outro.
Na melhor das hipóteses, ele sairia de lá irritado, pensando: "era só o que me faltava! Uma gorda defendendo a mulher de Israel".
Se alguém brinca deliberadamente com assuntos delicados como esses, imagina quando é dito por uma pessoa que cai em outra categoria de "minoria" e preconceito?

Uma luta desnecessária é uma luta perdida.
É como feministas berrarem para machistas ou ignorantes que elas têm direito de ser muito mais do que eles pensam. Elas só vão se cansar e ainda virarão piada.

Sabe como podemos lutar e vencer? Educando as novas gerações e abrindo os olhos dos mais velhos que têm consciência de que certos costumes de sua época hoje não valem mais. Educar quem quer ser educado e não dar palco para quem perpetua preconceito e desrespeito. Sem platéia para aplaudi-los, se tornarão apenas seres humanos passíveis de pena.

Sem esquecer de sufocar também os nossos próprios preconceitos. É um confronto diário e muitas vezes difícil.

Eu posso confirmar que os louros colhidos nesse tipo de batalha são bem melhores do que um bate-boca na fila de um banco.

"Não se manifestou por medo?" - Se hoje em dia estão matando gente inocente por causa de uma fechada de carro, imagina o que não podem fazer por ignorância e ideologia?

Temos que aprender quais lutas seguir e quais deixar passar. E também, eu não estava sozinha, não iria envolver uma senhora de mais de sessenta anos em uma situação desnecessária.

As pessoas às vezes têm tanta vontade de brigar por isso e por aquilo que só sabem fazê-lo na base da porrada, como se tudo pudesse ser resolvido com os punhos. Ah, quem dera...

O Kimono desbotou
Se isso é um retorno? Bem, eu espero que sim.
Já que não chove pauta e eu não posso me dar ao luxo de ser a Cantareira, vamos falar de trivialidades, escrever mais contos e quem sabe nos divertirmos mais na cozinha.

Você me acompanha?

Por Kimono Vermelho (05/02/2015)

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Antes de comentar conheça as nossas regrinhas:
-Não poste nada ofensivo, respeite os outros;
-Não brigue, aqui não é ringue de boxe;
-Não faça merchandising do seu blog com a desculpa de "ah, mas eu comentei sobre o post também".
Siga as regras e você não conhecerá o lado escroto da Kimono.