quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Diários de Uma Escritora - 32

Às vezes um pesadelo, um tormento, às vezes uma habilidade natural, uma boa observação.
Escrever personagens do sexo oposto ao do autor nem sempre é a coisa mais fácil do mundo. Falar de algo ou alguém muito diferente de nós requer pesquisa ou uma boa percepção para juntar tudo o que vivenciou até aquele momento e criar algo baseado nisso.

Diários de Uma Escritora 32 - Sexo oposto/Sexualidade diferente

Antes de mais nada gostaria de avisar que cada escritor manda no que vai escrever e não deve ser forçado a colocar personagens que não têm vontade de colocar em suas histórias.
Se isso acontece podemos chamar o escritor de "escritor-fantasma" (ghost writer) e não há nada de divertido nisso.

Ainda assim, sair da zona de conforto e incluir personagens bastante diferentes de você enriquece a história, traz um bom desafio na escrita e pode te ajudar a evoluir.
A melhora é sempre bem vinda.

Sendo eu uma mulher, vou contar quais os maiores problemas quando criamos personagens masculinos:
-Eles são nossos homens ideais;
-Se possuem algum defeito, caso raro, é algo que qualquer um pode contornar;
-Se tem uma história triste, senta que você vai ficar toda emocionada.

Esse é o basicão.
Para os homens é só trocar o gênero e incluir o "gostosa" e "boa de cama".
E aí está o personagem padrão que muitas começam criando para ser o par romântico da protagonista.

Não há nada de errado em criar o homem dos seus sonhos, sério, só que ele precisa ser palpável (e não é no sentido gostoso que você imaginou).

Não basta uma historinha triste e um comportamento exemplar, ele precisa parecer real, conseguir passar identificação para quem lê.
Porque, quer queira ou não, um livro redondinho demais e com tudo bonitinho e perfeitinho pode não ser a história mais vendida ou imaginada para ser publicada por uma editora. É preciso pensar também nos cifrões.
Guarde o "perfeito" para aquelas histórias que você nunca irá publicar e que só servem para satisfação própria.

E o mais desafiador é sair do seu "homem perfeito" e criar alguém que não corresponda a todos os quesitos e ainda assim seja bacana.

Eu confesso que tenho dificuldade em me aprofundar nos personagens que vou matar depressa e não gosto ou nos que, apesar de papel fundamental em algum momento, eu não sinto empatia. Preciso de tempo para jogar a trama no chão e ver que peças vou encaixar onde para depois pensar em cada personagem com mais cuidado.

Se esse não é mais o seu problema, passemos para o segundo tópico que ainda tira algum sono: criar personagens homossexuais.

As novelas estão aí para mostrar UMA parte e normalmente os autores delas têm amor profundo por gays caricatos. Não estou dizendo que esse tipo de pessoa não exista, contudo, assim como o resto do mundo, os gays e as lésbicas não são todos iguais.

A maior sacada para criar esse tipo de personagem é ignorar o gênero.
Um homem que ama uma mulher é tão apaixonado quanto um homem que ama um homem ou uma mulher que ama uma mulher.

Acredito que a maior diferença entre os três grupos é apenas na relação sexual, já que os sentimentos são basicamente os mesmos. Homossexuais também sentem raiva, surpresa, vergonha, alegria. Parece ridículo o que vou dizer, mas... Bem, eles são tão normais quanto eu e você. BU!

Com alguma experiência após pesquisa você pode até descrever as relações sexuais entre eles, o que também não é um bicho de sete cabeças desde que você tenha a mente aberta.

Para bons personagens basta um pouco de observação e criatividade.

Nos vemos no próximo Diários de Uma Escritora!

Por Kimono Vermelho (12/02/2015)


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