terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

CPM: O que é ser mulher?

Será que todas nós sabemos a resposta para a pergunta do título?

A verdade que está por trás disso não é única, mas individual.
Para algumas, "ser mulher" é ser mãe, "ser mulher" é ser boa de cama, "ser mulher" é ter órgão reprodutor e corpo femininos.

A minha definição de "ser mulher" é muito ampla e posso facilmente me perder dando uma resposta longa, enchendo todo o texto e ainda precisando de mais alguns parágrafos.

Porém, acredito que "ser mulher" é unicamente "ter controle sobre si mesma".

Quem tem esse poder sabe usar o verbo "ser" muito melhor que os outros.

No caso, aqui, a "Conversa é Para Mulheres", só que podemos estendê-la também aos homens, já que sua situação é aparentemente mais delicada.

A educação passada de geração em geração pelas nossas famílias é a principal culpada por não possuirmos o controle sobre nós mesmos, caindo a cada dia num buraco, presos nas amarras de sempre do preconceito e culpa a que fomos orientados a seguir.

Querem um exemplo?

Em breve estreia o filme de Cinquenta Tons de Cinza, adaptação de livro homônimo de uma senhora chamada E.L. James e que teve uma resenha aqui no blog.
Tenho visto muitas mulheres de diversas idades se contorcendo de desespero pela curiosidade de ver o livro "animado" com pessoas de carne e osso, lutando contra sua timidez ou "o que os outros vão pensar".

Mesmo não parecendo ser um filme daqueles pornôs típicos, ele foi considerado para maior de dezoito anos, e não podemos nos esquecer do óbvio: é a adaptação de um livro que fez um estrondoso sucesso por ter como tema um dos maiores tabus do mundo, o sexo.

Eu poderia passar mais alguns parágrafos falando sobre como esse assunto é tão normal quanto cocô e xixi, contudo, não faria muito efeito. Eu não estou mais presa aos meus preconceitos antigos de que sexo é algo sujo, pecado ou qualquer outro argumento que me faça sentir vergonha de falar sobre isso.

Transcender os costumes e educações arcaicas é com certeza uma das missões das novas gerações. Devemos ser sempre melhores que a geração anterior.

Para ultrapassar essas barreiras podemos passar por um processo longo e algumas vezes doloroso de quebra e reestruturação, destruindo tudo que acreditávamos até aquele momento e colhendo os cacos que são importantes para nos colarmos e criarmos um novo "eu". É basicamente procurar se conhecer e entender que você não deve se condenar e muito menos deixar que os outros o condenem por algo que você acha justo e correto.

Sexo não é um bicho de sete cabeças.
Sexo é sobre maturidade e compreensão. Tendo os dois, você pode falar e fazer sem se sentir menos "sagrado".

Uma parte das mulheres não teve uma boa transição da infância para a adolescência e da adolescência para a juventude ou idade adulta, portanto, o tema ainda apavora, mesmo com alguma curiosidade. Elas também têm medo de demonstrar seus desejos, independente da virgindade ou falta dela. Foram todas educadas para não se manifestarem, para não parecerem vagabundas ou impuras.

Há uma diferença enorme entre "ser uma vagabunda" e fazer seu parceiro ou parceira compreender seus desejos. Talvez as ditas "vagabundas" até sejam melhores que todas, uma vez que são tão liberais  com o assunto que usam e abusam de seu corpo como bem entendem. Sendo de forma consciente e não tendo medo das consequências de seus atos, qual o problema?



E não é apenas sobre sexo que muitas mulheres têm "travas". É sobre se impôr e parecer masculinizada, não atrair ninguém por causa disso. É sobre tomar a iniciativa numa paquera e parecer atirada demais.

Romper com essas amarras é sempre difícil e nem todos estão prontos.
Para cada pessoa a covardia funciona de um jeito.
É como eu gosto de dizer: "a coragem não anula o medo, ela é mais como um gatilho, puxado pelo mais medroso".

Será que viver a ponto de sufocar é ter uma boa vida?
Será que não chegou a hora de mudar, mesmo que isso custe boa parte da sua sanidade?
Ainda acho que quem luta e sobrevive, aos trancos e barrancos, volta mais forte. Afinal, que graça tem estar vivo se você não pode retornar das quedas cada vez mais incrível?

E quando "ser mulher" se torna um problema de gênero?

Muitos meninos acabam não se encontrando com o sexo que nasceram, perseguidos pelo inferno que é não ser como eles gostariam de ser e parecer. Existem plásticas, medicamentos e todo um processo para que "virem" mulheres fisicamente. Mas assim eles "serão mulheres" e se sentirão como tal?

É uma situação que eu não consigo entender por ter nascido mulher e por conviver bem com o meu gênero.
Acredito que elas também terão que descobrir por si só.

E quanto as mulheres que amam mulheres? Elas são "menos mulheres" por isso?

Há quem pense que lésbicas são "homens" ou querem imitar os homens "mesmo não tendo um pênis". Acreditem, eu já escutei algumas coisas sobre o assunto que ainda me deixam enjoada.

Aos olhos da sociedade, "ser mulher" é:
-Ter um namorado/marido/ficante/amante do sexo masculino;
-Cuidar bem da casa/ser prendada;
-Ter filhos;
-Ser obediente;
-Ter órgão reprodutor e corpo femininos;
-Ser delicada;
-Ser fútil;
-Nunca iniciar uma paquera;
-Ser emotiva;
-Ser reservada quanto a sexo.

Eu poderia deixar essa lista crescer até o próximo ano e mesmo assim ela não diria nada sobre de fato "ser mulher".

Será que importa o sexo do seu nascimento?
O sexo da pessoa que você escolheu namorar?
O fato de você não querer ter filhos?
Sua vontade de dar prioridade a sua carreira profissional?

Se perguntem o que é ser mulher.
Essa é só uma das respostas do mar que somos.

Por Kimono Vermelho (10/02/2015)

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