segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Kimono Vermelho na Bienal do Livro SP 2014 - Dia 1

Acrescenta mais desse "JUNTO E MISTURADO" que você vai sacar a diversão e interatividade.
Com toda a certeza não foi o "Evento das Maravilhas", ainda mais para alguém que tem que se adaptar aos planejamentos do destino e não aos seus.

Seja bem-vindo ao relato do primeiro dia da blogueira na 23ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo.

Descubra como foi a edição anterior em 2012, na parte 1, na parte 2 e na parte 3.

Sábado, 23 de Agosto de 2014...
Provavelmente o melhor dia para as coisas saírem fora do "programado".
Além da súbita insônia, infelizmente não provocada só pela ansiedade, a carona para o evento teve um problema na rua.
Tem coisa mais divertida que o carro "ferver" e você precisar parar e esperar antes que a motorista tenha a sensacional ideia de abrir o capô com aquele bafo quente comprimido? (Sério, não façam isso, esperem uns dez minutos, vão jogando água no capô e aí sim abram-no, caso contrário, você pode ter graves queimaduras - Aula da Auto-Escola muito bem recordada)

Ninguém se machucou, mas é fato que o tempo passava e eu estava preocupada.

Minha pretensão ao sair num sábado, algo que tinha prometido a mim mesma não fazer num evento desses, era assistir a palestra de Harlan Coben no pior horário possível: dez e meia da manhã.

Escutei Compadre Washington falar na minha cabeça com aquela sua voz mansa e sacana: "Sabe de nada, inocente".

Com o problema da primeira carona parcialmente resolvido, peguei uma segunda que, mesmo sabendo como cortar o trânsito, acabou parando na Av. do Estado (a outra opção era a Av. 23 de Maio, com engarrafamento MUITO PIOR).

Cheguei no evento às 10:40h.
A surpresa? A fila quilométrica.
"Olha! Quanta gente, que bacana! Eba! Eba! Todos adoramos livros! EEEEEEEEEEE!!!!"
"Vocês tão de sacanagem que tem essa quantidade de gente na minha frente..."
"Kimono, você sabe que final de semana enche" - Ah, mas eu sei, coleguinha, EU SÓ NÃO TINHA ME LEMBRADO DA MALDIÇÃO "KIERA-CLARE".
Antes que algum fã das duas autoras queira quebrar as minhas pernas, segura esse seu bicho raivoso e prossegue com a leitura que vocês vão chorar sangue quando eu contar sobre duas garotas gente fina que encontrei na fila do banheiro com a pulseirinha para ver titia Cassandra.

Sabem que horas eu pus o pé dentro do Pavilhão de Exposições do Anhembi?
Meio dia. MEIO SANTO DIA.

Só tenho UMA COISA a agradecer, ou melhor, DUAS: não estava chovendo e tinha sorvete da Kibon para comprar. Sim, sem pagamento em barras de ouro que valem mais do que dinheiro.

Bom, o relato do primeiro dia acaba aqui.
Agora vamos falar sobre como a Bienal estava realmente (des)preparada para receber seus visitantes.

Evento: 23ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo
Dia: 23/08/2014 - Sábado
Horário de entrada (aproximadamente): 10:40h (fila para comprar ingresso) e 12:00h (entrada no pavilhão)
Horário de saída (aproximadamente): 15:30h
Almoçou/lanchou/jantou no evento: Almocei e lanchei.
Nota para o almoço/lanche/janta (de 0 a 10): 4 o almoço e 10 o lanche.
Total de fotos do evento no dia: 41
Compras: 4 livros
Viu qual palestra?: Nenhuma.
Acompanhante: Assistente do Blog Para Eventos (ABPE)
Nota para o dia (de 0 a 10): 2

(Des)Organização
Começou a passar mal olhando essa foto? Relaxa, toma uma água e respira fundo.
Cassandra Clare, Kiera Cass, Thalita Rebouças, Harlan Coben, entre outros tantos autores que eu nem conheço e que têm seus livros entre os mais vendidos E QUE ESTAVAM SÁBADO no evento.

O erro já começou aí.
Quando temos autores desse porte (leia: que trazem praticamente uma nação inteira de pessoas para vê-los) é preciso conhecer um negócio chamado "logística".
Obviamente também temos que contar com a disponibilidades dos escritores para vir ao nosso país, afinal, boa parte deles continua escrevendo suas séries e têm outros compromissos. Porém, vale lembrar, ISSO NÃO É DESCULPA para acontecer o que aconteceu no sábado.

Se eu vi cinco funcionários/voluntários informando sobre as filas, foi muito.

Existia uma fila para comprar o ingresso, uma para entrar, outra para usar o banheiro, mais outra para tentar almoçar... Dia 23 foi um teste cardíaco, de paciência e de humor.

Informação era um artigo de luxo do lado de fora do pavilhão. Quem tinha, poderia se considerar rei.

Filas? Bora botar o papo em dia! (Versão Com Estranhos)
Samsung, a patrocinadora master do evento e que me garantiu meia-entrada. huhu
Enquanto isso minha assistente olhava e dizia: "Meu próximo celular vai ser Samsung".
Ah, essa minha assistente do blog para eventos...
Embarquei nas puxadas de conversa dela para ficar sabendo algumas informações e como as pessoas estavam se sentindo naquela fila para entrar no infer- pavilhão.

Encontramos um grupo de professoras abismadas com a fila e a falta de informação, um casal de Minas Gerais que tentou alugar uma van para ir até a Bienal e acabou não podendo por falta de gente interessada, duas fãs de Cassandra Clare e uma dupla do interior de São Paulo que furou fila com a gente na escada da churrascaria.

Além da perplexidade presente em todos os rostos com a situação precária na qual estávamos, muitos checavam os celulares para ver onde encontrariam os amigos, comentavam sobre o evento ou simplesmente respondiam mensagens recebidas em seus zap-zap.

Todos foram bem gentis, visto que, ou a gente mata todo mundo ou aproveitamos para conversar e reclamar juntos.

Além dos bons momentos com esses estranhos, ainda fomos abordadas por uma desesperada jovem, que ao notar a fila organizada pelo Capeta, confiou na minha atenciosa assistente para comprar duas entradas inteiras para ela (nos entregando uma nota de R$ 50).
Há uma dúvida impossível de sanar neste post: caberia a blogueira neste lindo carrinho?
Queria dirigir esse carrinho pelo evento, buzinando e abrindo caminho para cadeiras de rodas e cães-guias.
Minha cara de pau lavada quando falei para a jovem do guichê não misturar os trocos, porque os outros ingressos lá eram da minha prima. Estou virando uma mentirosa profissional. #eRainhaDoExagero

A melhor parte foi:
Assistente com os ingressos da moça na mão (e o troco): E agora? Como a gente vai encontrar a moça? Não lembro como ela era.
Kimono: Eu lembro, ela estava... *dou as especificações, como cor do cabelo, acessórios e roupa*
Assistente: Será que a gente encontra?
Kimono: Ah, a gente encontra! Ele não vai ser doida de dar dinheiro pra desconhecidos e ficar no prejuízo.

O tamanho do alívio e sorriso da moça quando aparecemos foi de encher o coração. Fiquei feliz com a boa ação, pois eu ia declinar o seu pedido. Só minha assistente para ter tão boa vontade.

É que eu gosto de ficar longe de encrenca.
Vai que a garota some e eu fico com um dinheiro que não é meu e ingressos que não preciso? A sensação para mim seria ruim.

Seção Especial: Titia Cassandra
A famosa "Arena Cultural" onde NÃO VI Harlan Coben dando sua palestra...
Fãs de Cassandra Clare esperando dar o horário para ver sua autora favorita.
Vamos falar sobre a fila do banheiro e outras divertidas situações causadas por essa adorável ruiva gordinha e seus fãs devotos!

Na fila em forma de U para tranquilizar minha bexiga aterrorizada, encontrei duas adolescentes cansadas, ansiosas e disponíveis para um bom papo antes de descobrir que o banheiro é mais limpo que o da última AnimeCon que fui.

Eu fiquei com pena das duas e botei a mão na minha consciência sobre reclamar da espera.
Elas chegaram às seis da manhã, esperaram os portões abrirem (apenas às 10h), deram um jeito de se embrenhar na fila para pegar a senha da sessão de autógrafos, disseram que viram muita gente passando mal, empurra-empurra, falta de informação/organização do pessoal da editora e que a briga pela pulseirinha azul rendeu machucados em alguns fãs.

Além disso, a quantidade de gente em volta da Arena Cultural (local onde a autora bateria um papo com seus leitores sobre o "universo fantástico da leitura") estava lotada e tomava um bom espaço do corredor.

Uma das diversões e dúvidas de todos que estavam no evento eram os gritos, em sua maioria femininos, a cada cinco, dez minutos. Alguns tiravam sarro, outros gritavam junto e muita gente ficava sem entender a quantidade de berros aparentemente desnecessários. Sim, tudo culpa da titia Clare... que chamei de "Clarice" em um dado momento, prontamente corrigida por um autor.

Seriam fotos exclusivas de David Luiz com pouca roupa?
Bem, eu não fiquei para saber. #brincadeira

Bienal do Livro: Atenção! Estamos chegando na Estação da Sé em horário de pico!
De cima da churrascaria eu vi essa galera toda e pensei: "Tofu quando descer".
Alguns corredores estavam tão cheios, TÃO CHEIOS, que em alguns momentos fui arrastada pelo fluxo e fiquei um pouco perturbada. Estaria eu na estação de metrô no fim do horário comercial, de alguma forma?
Quando não, socos, cotoveladas e momentos divertidos em que uma bolinha como eu passava por espaços estreitos.

Nunca me esfreguei tanto nos outros quanto nesse dia.
Fiquei deprimida, ninguém pediu meu telefone, uátizâpi, feicibuqui...

Sabem o que é mais engraçado? Ler de vez em quando que o país tem poucos leitores. Cadê esse pessoal que escreve essas lorotas passeando no dia 23/08? Amigo, tu é tão inocente que eu vou deixar escrito "sabe de nada" na sua mesa.

Infraestrutura
O Anhembi mostrou que não tem.
Não para o contingente visto no sábado.

Eu gostei da atitude de um senhor quando eu estava na fila pela bexiga chorosa. Ele perguntou ao segurança por que as saídas de emergência estavam fechadas.
Tempos depois o mesmo segurança pediu para as pessoas, que estavam preguiçosamente sentadas próximas a essas portas, para que saíssem dali.

As saídas estavam trancadas com abraçadeiras de nylon. #rindoparanãochorar

Desta vez não senti as deformidades do piso elevado. Finalmente aprenderam que essa joça nos corredores é um erro.

A mobilidade estava precária.
Vi pessoas de cadeiras de roda, cadeiras motorizadas (scooters) e um rapaz com cão-guia (acompanhado de uma moça) e pensei em como eles conseguiriam passar pelos corredores "Estação Sé no Horário de Pico - A Saga". Se já foi uma péssima experiência para mim, como seria para eles? Sem falar que o aproveitamento decai bastante.
Panfletos com o mapa e outras informações sobre o evento. EU SÓ VI AGORA QUE FIZ O POST.
E lá no fundo o "credenciamento". Por que não incluíram meu lindo blog nessa lista?
"Porque você não é famosa, Kimono, conviva com a realidade, sua gorda."
A acessibilidade estava boa. Rampas em todos os locais que notei com degraus.
O problema é que se a pessoa quisesse almoçar na churrascaria que tem ali dentro do pavilhão, simplesmente teria que optar por outro local. O acesso era por escadas em caracol e, sendo sincera, a comida não era lá essas coisas. Salgada e cara. Não recomendo.

Como viram em uma das fotos, tem um lago antes de chegar nos guichês para comprar os ingressos e NÃO TINHA NENHUMA PROTEÇÃO (nós passamos rente a esse lago na fila). Ou seja, se rolasse um empurra-empurra alguém poderia cair ali. A água era verde e não dava para saber a profundidade. Imagina se uma criança cai? Pois é. Mais uma das burradas dos queridinhos da organização do evento.

Dicas para fugir de situações ruins
A quantidade de pessoas nesse evento era de dar inveja na Rua 25 de Março!
Andar no meio dessa galera requeria estratégia, paciência e puxar a assistente pela mão.
Uma raridade: encontrar um corredor razoavelmente vazio no Anhembi!
A primeira com certeza é: NÃO VÁ NA SARAIVA!

Não tenho nada contra a livraria (compro nela e até conheci um livreiro muito fofo por lá), mas gostaria de fazer UMA GRANDE RESSALVA. Se você tem a possibilidade de ir em um shopping, vá. Não há nada de espetacular no estande gigante que valha tanto à pena para encarar uma fila de mais de setenta pessoas.

Desconto (isso vale para todos os estandes)? Não foi isso que o pessoal andou falando no Facebook da Bienal...

Olha, a não ser que você seja MUITO cuca fresca (tranquilão nível "nada te tira do sério"), não tente. O tempo que você poderia estar quebrando o pescoço enquanto anda para ver todas as novidades e coisas coloridas será gasto na fila para pagar ou procurar por um livro que nem sempre pode estar no estoque lá do evento.

Tem uma lista com livros que não são muito atuais ou que parecem não ter muita saída/venda? Guarde para a livraria.

Estande da própria editora?
Hahahahaha. Só rindo para lembrar o choro ao descobrir que tinha fila na Rocco (para pagar os livros e) por causa da Sra. Thalita Rebouças que estava por lá, com sorte, não sendo esmagada pela quantidade de pessoas.
"Amo gente, só não quero que me matem." (VERMELHO, Kimono)

A segunda é: crianças também têm sentimentos.

Pode ser até engraçado atestar o óbvio, contudo, eu vi o meu sofrimento refletido nos pequenos.
É claro que o blog aprova a vontade dos pais em despertar o prazer da leitura em seus filhos, porém, tenham um pouco de consideração com eles.

Crianças têm necessidades que precisam ser atendidas com urgência: fome, banheiro, cansaço. Elas não são obrigadas a passarem por situações extremas DESNECESSARIAMENTE.

"Ah, mas é para aprender que o mundo é assim mesmo" - Ela já aprende um pouco disso na escola. Tortura não é um bom caminho.

Muito calor humano, corredores com tanta gente espremida que os menores podem SIM sufocar, além de cansaço, muitas horas de pé, poucos lugares para se divertirem com os pais estressados e exaustos.
Olha só, ali está escrito 20% de desconto? Hum... Queria ter podido entrar para ver.
Aquele momento que você vê livros que não conhece na vitrine. Só se salva Suzanne Collins.
A terceira é: SOMENTE EM ÚLTIMO CASO vá no final de semana!

Pergunte a qualquer ser humano com o que resta de dignidade e que passou eternidades nas filas dos dias 23 e 24 de Agosto, o que é que eles acharam da experiência.

Eu ia no domingo, porque O DIABO BOTOU AS PALESTRAS QUE EU QUERIA ASSISTIR NESSA DESGRAÇA DE FINAL DE SEMANA, no entanto, recebi no sábado à tarde o convite para um churras de aniversário da esposa de um parça gente fina.

Caguei pra Bienal e Fui para o churrasco!
Muito menos gente, sem filas, carninha deliciosa, comida boa, refrigerante geladinho e... DE GRAÇA.

É, eu sou fresca.
O choro foi livre no sábado. E, ah meus amores, quando eu vi que a fila dava mais de três quilômetros eu realmente quis chorar.

A quarta é: TENHA O MAPA EM MÃOS!

Imprima.
Porque eu novamente sofri preconceito e não recebi lá no evento. Acho que não gostam de gordas, baixinhas e com cara de japonesa. Comprovando essa situação pela segunda vez consecutiva em uma Bienal do Livro.

O mapa, neste ano, ESTÁ CORRETO (ao menos o que eu imprimi em casa). Siga-o, saiba onde ficam os banheiros e locais de palestras. SEJA FELIZ COM MAPA NA MÃO. O MAPA É MEU PASTOR E NADA ME FALTARÁ....só paciência, sanidade e amor à vida.

A quinta é: CHEGOU? CORRE PRA FILA DO BANHEIRO!

Não espere sentir aquele aviso da natureza, não seja um inocente sabedor de nada, pois quando o corpo avisar será TARDE DEMAIS.
Esta é a minha próxima parada nos dias seguintes do blog na Bienal do Livro!
Eu fico imaginando se estes são os que esperam para pegar a senha na bilheteria.
A sexta é: quer entrar no evento? Quer assistir palestra? Saia ANTES DAS OITO DA MANHÃ.

E eu acho que ainda assim tudo teria dado errado para mim. Ou pior.
De qualquer forma, o blog recomenda que você saia com uma boa antecedência, pois o trânsito na região fica complicado independente do dia e horário, visto que, o evento em si é de grande porte.

A sétima é: furar fila

É ético? Não.
É educado? Não.
É bonito? Não.
Eu reclamei quando entraram na minha frente? Não.
Afinal, hipocrisia é um pouco além da minha alçada.

A verdade é: os organizadores estimularam essa falta de respeito.

Assumo sim a minha parcela de culpa e digo "furei fila, furei mesmo".
Quando saí de casa usei o banheiro, só que não dá para esperar que em duas, quase três horas depois a minha bexiga esteja feliz e contente. Não, fazer xixi nas calças ficou para a época em que eu ainda era criança, desculpa.

Sinto muito você que acha que o mundo é cor-de-rosa e a Bienal sábado estava organizada, mas ali valia a lei da sobrevivência.
Tem estande da Panini, mas não tem da JBC. CASSIUS, SE MOVIMENTA, CARA!!! q
Não quer que entrem na sua frente? Fique colada na pessoa da frente.
Tenha a dignidade de ceder seu lugar para idosos, deficientes, grávidas e quem estiver com crianças.
Quer dar um show por causa disso? À vontade, o palco lá parece ser público.
Um evento como esse, entupido com gente saindo pela culatra, deve ter um pouco de senso comum. Por que não nos ajudamos em vez de ficar com o rei na barriga exigindo direitos que estão impossibilitados a todos? Menos, princesas e príncipes da cocada, menos.

"Ainn tá defendendo porque também furou fila" - ESTOU MESMO e estimulei as pessoas a fazer também. Afinal, se eu cedo um lugar na minha frente ESTOU FALANDO PARA A PESSOA FURAR A FILA, CERTO?
Pagar de falso honesto e hipócrita está fora de moda.

A oitava é: vá de táxi/carona

R$ 40 é pesado. É a entrada para o Anime Friends e o custo-benefício não é tão empolgante.
Fui de carona e peguei um táxi para ir embora, pois minhas caronas estavam ocupadas (uma arrumando o carro, a outra fazendo carreto na Zona Leste). Moro longe do evento (quase na divisa de uma cidade da Grande SP), mas paguei só R$ 58. Ar-condicionado, conforto de não me estressar com o trânsito, motorista que cortou o caminho por onde pôde e ainda descobri que ele é conhecido do meu mecânico (São Paulo é pequena demais!).

E eu jurava que pagaria uns cem, porque moro onde Judas perdeu todas as roupas e a dignidade.

Claro que comparando "na lata", dezoito reais fazem diferença. Conforto também.
Estacionamento cheio, bom tempo para procurar vaga, ter que sair do local e pegar o final da fila na rua. Ir embora, carro pelando de quente, trânsito para enfrentar, provavelmente com fome e sede, estressado, cansado, pressa para chegar em casa...

E carona é tipo pacote, é carga e descarga. Rápido, tranquilo e fácil. Altamente apoiado.

A nona é: cabelo preso é poder

Não, fofa, não faz a fina que você não está andando pela Oscar Freire.
Cabelo é uma coisa que atrapalha quando fica na cara, então prenda com lenço, xuxinha, piranha, se quiser ter um pouco mais de conforto.
Ah, essa editora... Você já comprou algo dela para montar ou colecionar?
Eu fico impressionada com pessoas que têm paciência para trabalhar com essas minúcias.
A décima é: o que eu disse sobre "vários tipos de dinheiro"?

Eu não tinha entendido quando vi um vendedor com a máquina de cartão levantada para cima, mas depois de dar uma rápida passada nas avaliações do evento no Facebook fiquei espantada. Quer dizer que não tinha sinal, hein? QUE BELEZA.

E a tia Kimono repetiu para vocês levarem dinheiro, lembra?

"KIRIDA, seu blog não é tão conhecido assim" - Deixa eu usar a pauta, tá? Me deixa!

Não dependa de cartão e nem pense em tirar dinheiro lá! Leve de casa para não ter a terrível surpresa de descobrir que não tem caixa eletrônico do seu banco.

A décima primeira é: camarão que dorme, é roubado

As pessoas parecem que não entendem como funciona a segurança em local abarrotado.
Bolsas e mochilas sempre próximas ao corpo, mão em cima do zíper da bolsa, mochila na frente do corpo, nada nos bolsos das calças (NEM NOS DA FRENTE, porque no vuco-vuco já era), um pouco mais de atenção e menos cabeça na lua.

Siga essas dicas e não vai ficar como camarão que dorme e a onda leva.
Se liga, né!

Falando em moda...
Gente, por que vocês não leem o meu blog?
Porque tu não é famosa, Kimono, sua anta.

Eu vi mulher de salto e quis colocar a mão no ombro delas e chorar.
Outras de botas... Imagina o estado de cozimento dos pés.
Boa parte de tênis (altamente aprovado) e muitas de sapatinho baixo.

Subindo na peça de vestuário feminino: calças, shorts, camisetas, regatas. Essa galera tinha sacado que o dia ia ser punk e se preparou bem.
Agora tinha um pessoal que acho que entrou na Bienal pensando que era o São Paulo Fashion Week. Manga comprida (naquele calor DELICIOSO de 28º a 31ºC), roupas com tecidos pesados, coisas escalafobéticas (e nem estavam de cosplay), saltão, meia-calça... Gente, por quê? Vocês se odeiam? Eu posso lhes dar um pouco de amor...

Os homens, de todos que vi, foram práticos: camiseta/regata/camisa pólo, calça/bermuda e tênis.
Amadinhos do sexo masculino, conversem  mais com as mulheres sobre roupas para eventos (como esse). POR FAVOR.

Compras!
E eu que pensei que voltaria de mãos abanando desse dia tenebroso de evento!
Que compras?

Acabei decidindo que aqueles livros que citei no aquecimento seriam comprados posteriormente em uma livraria, então acabei saindo do planejamento junto com a minha adorável assistente do blog para eventos.

A criatura é tinhosa e acaba encontrando cada peça rara...

Acabamos parando no estande da R&F Editora por causa do livro O Homem da Capadócia de Wilson R. que chamou sua atenção.
Descobrimos que ali estava um outro autor, vendendo seus livros e tirando fotos com aqueles que compravam sua obra.

Foi divertido.
Acabei pegando três de seus títulos, um para presente e os outros dois para leitura, já que a minha assistente estava extremamente entusiasmada em conhecer outro "sofredor", que assim como eu, escreve de manhã, escreve de tarde, escreve de noite, escreve de madrugada, escreve até quando não está escrevendo e escreve escrevendo.

Diário de um Soldado (Thiago Mendes), As coisas que a vida esqueceu de me ensinar (Thiago Mendes) e O Homem da Capadócia terão resenhas neste blog em breve.

Kimono jaz... JAZ.
Novamente lembrando, este texto foi todo baseado na experiência traumática do evento no dia 23 de Agosto, um sábado. Note que a situação pode piorar ou melhorar dependendo de certas circunstâncias.

Cheguei moída em casa e conversando com a minha amada assistente, decidi que as palestras de domingo não valiam minha sanidade mental e espiritual, aceitando o convite do churrasco do parça.

O novo planejamento, já que o antigo foi para as cucuias, é:
-Ir na Bienal terça, quarta e sexta;
-Assistir as palestras e bate-papos nesses dias;
-Descobrir se o Anhembi estará mais vazio em dia de semana;
-Tirar mais fotos;
-Esquecer o trauma das filas quilométricas;
-Conhecer mais estandes de editoras menos famosas e garimpar livros.

Nem pense em me procurar. Estarei camuflada entre os cosplayers de nerds.

Estou levemente ansiosa para os próximos dias e bem animada para ver o que não pude nesse sábado macabro.

Aliás, este só foi o PRIMEIRO DIA.

AVISO: Se você saiu em alguma foto e não quer que ela permaneça no site ou seja censurada com mosaico ou borrada, por favor, envie uma mensagem ao e-mail: akai.kimono@gmail.com - comprovando sua identidade [vamos evitar "falsos-positivos"] -> Eu mesma acabei "borrando" algumas fotos durante a edição por garantia.

Por Kimono Vermelho (25/08/2014)

8 comentários:

  1. Encontrei seu blog por acaso e super amei!
    De tudo que li sobre o dia 23, o seu foi o mais útil, bem explicado, interativo e de certa forma, engraçado. Vou para a Bienal dia 29, espero que esteja tudo mais organizado (sonhar não custa nada, rs).
    Salvei seu blog já nos favoritos, é um ótimo blog! :D

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    1. Olá, Amanda!

      Fico feliz que o blog tenha sido útil e que você tenha gostado dele.
      Uma dica para o dia 29/08, que é uma sexta feira, é: vá bem no comecinho da tarde, porque no final com certeza estará bem cheio. Se puder adiantar o almoço e chegar com certa antecedência, acho que você vai ter mais tranquilidade.

      Obrigada pelo comentário! o/

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  2. Saudações


    Baseando-me em seu texto, eu acredito que faltou uma melhor preparação dos responsáveis pela Bienal, no que tange à programação de sábado e adequação correta do local para receber os visitantes (tendo em vista que o Anhembi é imenso e o espaço poderia ser melhor aproveitado/distribuído/administrado).

    Ainda assim, era mais do que previsível que o movimento de sábado seria imenso, com ou sem as ditas palestras (sessão de autógrafos) de literários. Confesso à ti que, mesmo com todo o infortúnio, eu gostaria muito de poder ter estado ali e tentado conhecer este evento [in foco]. Quando puder o farei (2016 em pauta).

    No mais, me considero chato para certos costumes e um deles tange à filas e afins (encaro de outra forma). Só me recordo da fila para a FestComix'2012 (que dava volta no quarteirão à beira da Avenida Paulista, com o adendo de que chovia muito no momento). Se não fosse por uma credencial de blogueiro, teria ficado nela por quase duas horas (mas entrei tarde no mesmo de qualquer maneira, sendo que não acabei aproveitando o mesmo como desejava).

    De toda a forma aguardarei pela(s) próxima(s) parte(s) de seu especial sobre este evento, nobre.


    Até mais!

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    1. Olá, Carlírio!

      Uma certeza é absoluta sobre o dia 23/08: deu tudo errado.
      Em final de semana, Carlírio, nem a cidade de São Paulo inteira seria grande o bastante para os autores que foram anunciados no evento.
      Não aconselho ir de final de semana, a não ser que realmente não queira ver nada. Digo isso, porque fui ontem (dia de semana) e consegui ver muito mais do que em dia de muvuca. Achar que final de semana é um bom dia para "ver" o evento é muita inocência. Acredite, falo isso como experiência própria.
      A vida já é uma fila e tanto.

      Obrigada pelo comentário!

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  3. Eu estava lá no inferno do dia 23: eu para ver a Cassandra e minha irmã mais velha para ver a Kiera. E posso atestar que somos inocentes sabedoras de nada. Também tínhamos ingresso de patrocinador e logo na entrada rolou um migué pra entrar rápido, mas mesmo assim foi uma manhã em que fomos machucadas, apertadas, empurradas, passamos fome e sede com as filas e preços ridículos (água no preço de show do Morumbi, como assim??!), além da frustração de não conseguir as senhas para os autógrafos.

    Resultado? Na hora do almoço já estávamos longe do Anhembi, no Center Norte almoçando com nossa mãe: comida boa, ar-condicionado e umas comprinhas.

    Sexta-feira tentaremos de novo, dessa vez com toda a família - que Murphy vá marcar presença e outro lugar, porque sábado foi horrendo.

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    1. Olá, Beatriz!

      Acho que aprendemos a lição: ninguém vale a nossa integridade, muito menos um evento.
      Claro que é uma grande oportunidade, mas ainda assim acho que não vale os machucados que ganharam por conta da desorganização do pessoal da Bienal/Editora/Anhembi.
      Uma dica sobre sexta feira: se puder ir cedo, vá cedo. Esteja lá umas 9 da manhã e com certeza vai poder aproveitar mais o evento.

      Obrigada pelo comentário!

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  4. Ok, vou no último sábado e já sei do inferno que enfrentarei. Se a energia aguentar (coisa que não aconteceu no último sábado da Bienal passada) já estou no lucro. Infelizmente é o dia que consegui barganhar a minha folga.
    Gostei do seu texto divertidíssimo, mostrando que eventos podem sim ser infernos na terra. Quem aí se lembra dos Anime Fila? xD
    Realmente, depois de 3 Bienais, acho que estou preparada para o que der e vier, tanto que até fiz um pequeno guia de sobrevivência!!

    Até mais

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    1. Olá, Natália!

      Se puder ir cedo, bem cedo, vá. Aproveite que é sua folga e se antecipe. Fique de olho na programação também, porque se rolar autor famoso de novo, tu tá na zica total!
      Fico feliz que tenha gostado do texto!

      Obrigada pelo comentário!

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Antes de comentar conheça as nossas regrinhas:
-Não poste nada ofensivo, respeite os outros;
-Não brigue, aqui não é ringue de boxe;
-Não faça merchandising do seu blog com a desculpa de "ah, mas eu comentei sobre o post também".
Siga as regras e você não conhecerá o lado escroto da Kimono.