sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Kimono analisando: Magi - O labirinto da magia

Aladdin na capa japonesa e Aladim na capa brasileira - A melhor versão internacional.
Finalmente a espera acabou. O 1º volume de Magi (Shinobu Ohtaka) chegou em 15 de agosto, depois de optar pela assinatura do mangá em vez de esperar pela Bienal do Livro SP.
Sem arrependimentos.

Para quem tem a possibilidade de sempre passar por bancas atualizadas com as revistas em quadrinhos japonesas, desembolsará apenas R$ 12,90 por volume.
Já quem prefere a comodidade de receber a série em casa, a assinatura sai por R$ 69,70 do 1º ao 6º volume com opção de pagamento com cartão de crédito ou boleto.

Você pode se informar melhor na página de assinatura da JBC.

A história é ótima e para quem gostaria de lê-la em português, e não mais recorrer aos scanlators (pessoas que traduzem de forma não-oficial mangás) cheios de erros ou em inglês, essa é a grande oportunidade de conhecer a obra de Shinobu Ohtaka e se encantar com seus personagens, muitos deles saídos da coleção de contos As Mil e Uma Noites.

Temos um menino de aproximadamente dez anos chamado Aladim que está viajando pelo mundo com seu amigo Ugo, uma criatura azul que vive dentro de uma flauta. Juntos eles procuram por receptáculos metálicos onde vivem os outros amigos de Ugo e pela verdade sobre quem realmente é Aladim.

A trama parte desse princípio com muito humor e aventura enquanto trata de temas mais sérios como desigualdade social, política, economia, jogos de manipulação, crença, ódio e um mundo que está prestes a ruir.

Houve uma preocupação por parte dos fãs da série (me incluo) sobre como ficariam termos e nomes, já que a JBC é conhecida por suas versões especiaisSeja o dolorido "sinhozinho" de Nura - A Ascensão dos Clãs das Trevas ou a tentativa (leia: passou pela cabeça da equipe) de colocar "Mamoreco" como apelido de Mamoru Chiba em Sailor Moon.

Provando que Rei Salomão botou a mão na consciência da galera, nenhum nome/termo se tornou problema (ainda).
Cassius Medauar, em seu Twitter, explicou que escolheram (depois de conversar com a autora) usar os nomes traduzidos das histórias de As Mil e Uma Noites.

Portanto...
-Aladdin (como conhecemos por causa do filme da Disney) se tornou Aladim - pensaram até em usar Aladino/Aladinho;
-Alibaba ficou Ali Babá;
-Morgiana permaneceu com a mesma grafia;
-Ugo também manteve a mesma escrita vista em produtos oficiais e scanlators de língua inglesa.

Uma das grandes preocupações eram os termos, como dungeon e djinn, respectivamente, o edifício misterioso e o gênio da história, que a editora escolheu manter.

Neste primeiro volume algumas coisas ficaram meio confusas como:
-Qishan e Quishan: escreveram o nome da cidade/oásis dos dois modos. Não que seja extremamente importante para a história, mas vale ressaltar esse detalhe.
-Sinbad e Simbad: o uso das duas escritas para o nome de um dos grandes personagens da série deixou o fã confuso, ainda que ambos estejam corretos (até "Simbá" ou "Sindbad" seriam aceitos). Qual será que a JBC usará?
-Rainbown opal [Opala Arco-Íris]: este termo ficou sem tradução/nota de rodapé neste primeiro volume. Um pequeno detalhe que talvez nem faça diferença, mas estamos falando de uma editora de renome, então é bom comentar para que eles fiquem de olho em suas próximas publicações e para correção na Fase 2.

Fiquei hesitante ao ver Remu (レーム), e não Rem, ainda que a romanização esteja correta. E adorei o fato de "Partevia" ser "Partevia" e fim de papo.

Quando se lê por scanlator a expectativa sobre as traduções aumentam, então sei que ainda terei várias boas ou nem tão boas surpresas mais para frente.

#MagiJBC


A editora fez um trabalho incrível com Magi, contudo, preciso ressaltar: a capa de Sailor Moon ainda é a mais linda de todas ao vivo.

Vi algum tumulto no Twitter sobre o subtítulo escolhido para a obra, originalmente conhecida por Magi: The labyrinth of magic. Ficamos com "Magi: O labirinto da magia", que é a tradução literal.
Não entendi o burburinho, visto que, a JBC tem traduzido o que pode para aumentar a visibilidade desse tipo de material entre o público em geral (saindo do nicho).

A capa é bonita, apesar de causar um primeiro estranhamento aos acostumados com a original japonesa e seu マギ (Magi).
Se comparada com as versões americana e francesa, a brasileira é a melhor entre as internacionais. Sério, as duas são horríveis.

A fonte usada para o subtítulo é a mesma que a japonesa e até a fonte do título "Magi" é bonita e lembra a original.

JBC sendo JBC
E não digo isso de forma irônica ou de tiração de sarro.
A editora tem seus cacoetes, manias próprias, e deixa a sua marca em todas as obras que passam por suas mãos.

-Nheco, nheco e mete pra dentro: eu chorei de rir quando vi esses termos no mangá. Como só tinha lido scanlators de língua inglesa, só posso comentar com base neles, então... A explicação do Alibaba sobre "dar uns pegas" em inglês foi mais sutil. Ainda assim não teve nem metade da diversão que o nosso Ali Babá imprimiu nesse "mete pra dentro" com Aladim perguntando em seguida sobre meter o quê.

-O tio é místico: quando Aladim se depara com o mercador de vinho, Budel, e fica curioso sobre como um homem pode ter seios...

Se a equipe mantiver o bom humor nas adaptações, estaremos feitos nos próximos volumes.

Reclamações
Tirando alguns detalhes comentados (na verdade, alguns erros notados), eu particularmente não tenho nenhuma.
Recebi o mangá com um marcador de página de Combo Rangers (Fábio Yabu), tudo certo, embaladinho em um envelope que se caísse na água não estragaria o conteúdo, fui bem atendida quando passei meus dados por e-mail e telefone, o Cassius Medauar é gente fina pelo Twitter (vou tentar conhecê-lo pessoalmente na Bienal do Livro SP em 29/08), a Henshin! e a Editora JBC divulgam muito bem as obras que publicam e... Estou muito feliz por ter finalmente em solo tupiniquim uma das minhas obras mais queridas e favoritas.

Agora é esperar para ver como Magi se sai nas vendas e se haverá chances para o querido Sinbad no Bouken (Shinobu Ohtaka & Yoshifumi Ohtera), que conta as histórias de Sinbad na adolescência, aqui no Brasil.

Agradecimentos à equipe: Cassius Medauar, Marcelo R. Rodrigues, Thiago N. da Silva, Renata Leitão, Karin Therumi Kimura, Pedro Catarino, Leonardo "Kitsune" Camargo, Denis C. Y. Takata, Douglas E. de Souza, Douglas Emanuel da Rocha, Eliana Aragão Francisco, Edward Kondo, Henrique Minatogawa e Erika Huang. Vocês são foda.

Título: Magi - The labyrinth of magic
Autora: Shinobu Ohtaka
Editora: JBC
Publicação: Mensal
Valor: R$ 12,90
Status: Em andamento com o volume 22 no Japão

Notei que este é o terceiro mangá da JBC que faço análise. O TERCEIRO DE TRÊS. Não, o blog não é patrocinado pela editora.

Kimono kimonando...
Além desta "análise" de Magi aqui no blog Vermelho, vocês também poderão acompanhar a versão hilária e surtada no blog Amarelo em breve.

Se você ficou curioso para saber mais sobre As Mil e Uma Noites e seus personagens icônicos, recomendo os quatro volumes traduzidos do árabe por Mamede Mustafa Jarouche. É uma coleção que estou há tempos tentando adquirir e que espero neste ou no próximo ano conseguir!

Conto algumas curiosidades sobre Magi no primeiro post de análises dos capítulos do mangá no Kimono Amarelo, como os nomes dos djinn, sobre o Rei Salomão e outros detalhes do mangá. Atualmente o blog está com os 65 primeiros capítulos comentados da obra de Ohtaka, além de seu outro mangá, "Sinbad no Bouken/Adventure of Sinbad".

A próxima semana será CHEIA de compromissos, afinal, o grande evento nos aguarda: a Bienal do Livro de São Paulo! Algumas mudanças no cronograma, programações para todos os gostos, ansiedade batendo palmas e boas novas para quem ficar em casa neste final de semana ou na segunda feira (25/08)!!!

Nos vemos no próximo post!

Por Kimono Vermelho (22/08/2014)

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Antes de comentar conheça as nossas regrinhas:
-Não poste nada ofensivo, respeite os outros;
-Não brigue, aqui não é ringue de boxe;
-Não faça merchandising do seu blog com a desculpa de "ah, mas eu comentei sobre o post também".
Siga as regras e você não conhecerá o lado escroto da Kimono.