sexta-feira, 4 de julho de 2014

Diários de Uma Escritora - 30

É, eu realmente me desgarrei de datas, então vamos ao que interessa.

Escritor, entre um dos seus medos está a pergunta abaixo ou você tira de letra na maioria das vezes as investidas curiosas da família e amigos?

Diários de Uma Escritora 30 - "Sobre o que é o seu livro?"

Este texto é inspirado no post "O som das máquinas" de Antonio Xerxenesky no blog da Editora Rocco.

Quem assume ser escritor (ou que de vez em quando escreve umas coisinhas aí) está sujeito a essa pergunta e muitas outras. Seja por timidez ou qualquer outro motivo nem todo mundo consegue responder essa questão tão simples.

O "problema" pode estar naquele que escreve, naquilo que é escrito ou no tipo de pessoa que pergunta.
Vamos analisar as três situações e ver se a partir daí alguns transcendem essa "barreira".

Aquele que escreve
Nem todos são os reis da extroversão e muito menos os mais seguros, portanto, a dificuldade é aumentada a outro nível.
Acredito que no momento em que a timidez e insegurança começam a atrapalhar a sua vida e você se sente incomodado com isso, é hora de mudar o jogo. Se você não acha que o comportamento seja um problema, então não é preciso mexer em nada.

Quando digo mudar ou costumeiramente dou conselhos mais duros a amigos artistas (escritores, músicos) não estou dizendo que é da água para o vinho. Nada deve ser forçado ou de repente, pois apresenta um rompimento grave que nem sempre a pessoa consegue lidar.

Aos poucos é preciso colocar os dedos dos pés para fora da zona de conforto e sentir como é ali fora. Se você é tímido, levante a cabeça. Quando entrar em um local, dê bom dia para as pessoas, mesmo que boa parte (ou ninguém) responda. Isso é botar os dedinhos para fora.

Torne um exercício diário mesmo que você fique desesperado com sua luta interna entre "coragem" e "covardia", respectivamente, o que nos impulsa para o novo e o que nos mantém agarrados ao lugar comum.

Tudo deve ser feito por etapas no tempo em que você expande a sua zona de conforto. O que era antes do tamanho de um "quarto", pode se tornar uma "casa" ou um "casarão". O processo pode ser dolorido em alguns momentos, contudo, a alegria de perceber que não é necessário se manter aprisionado vale muito à pena.

Insegurança e autoestima baixa
Uma vive de mãos dadas com a outra e pode sobreviver sem sua companheira se você não "cortar o oxigênio".

O texto soa mesmo como um de autoajuda, porém, é preciso entender que se o escritor não é "bem resolvido", ele sucumbe com os primeiros obstáculos. "Tratando" essas "paredes", logo elas podem ser facilmente derrubadas com marretas ou um simples sopro.

Deixar de ser tímido é se tornar seguro.
Aumentar sua autoestima é se tornar seguro.

Primeiro pare de se comparar aos outros que você acha que são os melhores, pois desse olho de furacão você não sairá mais pelo resto da vida. É preciso separar as coisas e perceber que cada um está procurando fazer o seu melhor, e não buscando superar fulano. Não torne isso um objetivo de vida, porque você estará perdendo tempo se dedicando a alguém que não é você.

"Eu queria me tornar um bom escritor como ciclano."
Mude essa frase para:
"Eu vou dar o meu melhor para ser tão bom quanto ciclano."

Não bote nos seus ombros responsabilidades desnecessárias. É como se você estivesse pirando e pensando como pagará as contas de agora em diante com o bebê da sua prima vindo, mesmo você não sendo o pai e nem tendo que arcar com nada. Entendeu?

Escute as críticas e também os elogios. Pode não parecer, mas no fim todos têm o mesmo peso, então não se deixe levar somente por uma crítica ruim. Analise tudo e veja o que você pode usar. Xingamentos em vão e ódio gratuito você deve ignorar, afinal, foram dados por pessoas que não conseguem chegar no seu nível ou que são incapazes de se comunicar direito com outros seres humanos.

Acredite no seu potencial e JAMAIS ache que isso é arrogância.
Quem te condenar por isso provavelmente se irritou com o fato de que você não se faz de "coitadinho".Só se torna arrogância de fato quando você acredita que é o melhor do mundo, fala isso seriamente para os outros e se nega a escutar críticas sobre o seu trabalho. Bom, também podemos chamar de "ignorância".

Se me permitem um rápido adendo pessoal, eu não falo de timidez, insegurança e autoestima baixa como se fossem comportamentos alheios a mim. Eu passei por isso, mas escolhi mudar e me favoreci demais com essa mudança. Não foi em três meses ou um ano, então tenha paciência consigo mesmo e se instigue a avançar sempre.

Afinal, o que é a felicidade senão um mundo caótico com otimismo?

Aquilo que é escrito e o tipo de pessoa que pergunta
Eita.
É, "eita" mesmo.

Agora o nível do "problema" sobe quase para uma luta contra o Chefão-Final.
Nós sabemos que nem toda história é fácil de ser explicada, engolida pelos outros e por fim digerida, ainda mais quando falamos de pessoas que te conhecem desde que você estava na barriga da sua mãe ou quando simplesmente era aquela criança fofa e adorável.

Aqui é necessário ter cara-de-pau.
Malemolência.
Estratégia.

Você pode optar por contar a sinopse do seu livro, o gênero ou detalhes mais soltos. Sem entregar o ouro, sabe?
Isso vai depender da sua personalidade e para quem você vai responder.

Se é aquele tio zoero que está a fim de tirar com a sua cara, veja se quer ser comedido ou rasgar a boca do balão de uma vez. É, agora você entende onde entra o "cara-de-pau" nisso, né? hehehe
Cada pessoa uma estratégia diferente.
E malemolência para aguentar a reação de cada um.

E se o seu caso for:
-Sou uma mulher;
-Minha família acha que sou um anjo;
-Aquele tipo de menina dedicada aos estudos;
-Estou escrevendo uma coleção de contos pornôs.

Parece até uma piada que renderia boas risadas, porém, pensem com mais calma.
Só o fato de o autor dos contos picantes ser uma mulher a coisa já se torna problemática. Lembre-se, estamos em um país onde o preconceito com o feminino ainda é muito forte, ou seja, é preciso ter "culhão" não para assumir, e sim para lidar com as reações.
Bom, se você ligar para o que os outros dizem (fofocas), melhor se esconder debaixo da cama para não manchar a sua pureza... Certo?

Escrever não é sobre se esconder, é sobre tirar da sua mente o que estava escondido independente de ser publicado ou não.

Troque os contos pornôs por uma história com protagonista gay e coloque o autor como um homem hétero (ou alguém que não saiu do armário).
Acho que deu para entender as incontáveis possibilidades de "você envergonha a sua família".

Se o gênero é complicado, conte a sinopse com alguns detalhes.
Se a sinopse ainda não está pronta ou se você prefere manter "seus direitos reservados", fale o gênero.

Por exemplo:
Escritor: "É um romance policial."
Familiar ou Amigo: "Ok, mas o que tem na história?"
E: "Compre quando sair e descubra." *insira uma cara de troll aqui*

Tudo depende dos familiares/amigos. Se eles são escrotos não seja sentimental, pois vai acabar se ofendendo desnecessariamente.
Se eles quiserem comprar ou não, já é um problema exclusivo deles, não seu.

Por exemplo:
E: "É um romance policial."
F/A: "Ok, mas o que tem na história?"
E: "Uma policial cansada da corrupção da sua delegacia se junta a um novo tipo de milícia."

Sinopse real: Depois de perder o marido em um assalto, uma policial honesta fica cansada do descaso dos governantes e de seus superiores no distrito, e resolve se juntar a uma nova milícia que está se formando. O plano deles é se infiltrar no governo e começar um jogo de manipulações, intrigas, mortes e política.

PÁ! Tu não entregou o ouro e ainda deu alguma satisfação.
É claro que temos aqueles que querem saber mais e mais, contudo, é só dizer "ainda estou desenvolvendo o resto da história" mesmo que tudo já esteja pronto.

Ou vai mesmo querer contar a trama inteira e desinteressar um possível comprador só porque é um familiar ou amigo? Olha os business [negócios], nobre escritor, os business...

Não é raro, como pode não ser o caso, porém, existe quem se aproveite da ingenuidade dos outros para ir conseguindo coletar informações sem se mexer muito, então não seja o rato na ratoeira, a não ser que queira ser usado e abusado.

Coitadismo
Está aí um tipo de comportamento que ninguém deveria ter e que não é nada saudável, mas que prossegue por conta de quem o tem e de quem alimenta.

Temos dois tipos de "coitados": os sacanas que o fazem para se aproveitar da bondade dos outros e os fracos que têm medo da mudança.
Quando digo "fracos" não é de forma pejorativa, e sim de como as pessoas gostam de se lamentar sem se mover para fazer o mundo andar.

Os "coitados" sacanas apenas se fazem, já que são espertos o bastante para ludibriar os bons de coração e um tanto quanto tapados. São como vampiros que sugam até ver a vítima sem sangue, atormentam com os seus problemas (nem sempre reais), pedem dinheiro, se a pessoa pode "dar um jeitinho" e outros tipos de favores sem dar de fato nada em troca.

Os "coitados" fracos são dependentes. Precisam da atenção de alguém para seguir em frente, nunca assumem sua parcela de culpa na situação e normalmente entram em pânico se sugerimos que mudem esses maus hábitos que eles reclamam tanto de ter.
Aí você afaga, dá a sua atenção e envolve em seus braços como se fosse uma criança que chora por tudo. Mime, continue mimando e essa pessoa só vai se afundar cada vez mais no "coitadismo".

Não se pode viver em um mundo onde a pessoa tapa os ouvidos para não escutar a realidade, fecha os olhos para não ver a dureza da vida e grunhe ao invés de tomar as rédeas de sua existência e falar com a voz bem alta sobre seus anseios.

Não alimente um coitado, porque ninguém sai ganhando.

Dura feito diamante
E aí, pessoal?
Tenho algumas boas novas para contar a vocês!

A primeira é que estou trabalhando no primeiro conto do novo blog Kimono Verde (sim, aquele com histórias picantes) e pretendo lançá-lo ainda em Julho! Para acompanhar as novidades, siga o Twitter @MidoriKimono.

No próximo Diários de Uma Escritora tem um tema que vai englobar todos os posts já lançados! E olha que eu nunca pensei que passaria do primeiro ano com essa seção!

A Bienal do Livro abriu o credenciamento para blogueiros!
Então se você tem um blog que fale sobre livros, escritores ou suas histórias, corre lá!
Eu vou me inscrever e ver o que acontece, afinal, "o 'não' eu já tenho, só falta o 'sim'".

Quem tiver celular Samsung vai poder comprar meia-entrada! Lembre-se de apresentá-lo na bilheteria e na entrada do evento!

E se você ainda não se programou, a Bienal Internacional do Livro de São Paulo vai acontecer entre os dias 22 a 31 de Agosto!
Muitos autores internacionais vão participar de palestras, além de lançamentos de livros de escritores nacionais!
É ano da Copa das Copas e da Bienal do Livro!!!

Para mais informações, acesse: www.bienaldolivrosp.com.br

Espero desta vez não ficar com febre ou qualquer outro problema de saúde!E fique esperto que em breve rola o post com o "esquenta" para a Bienal, como o que foi feito em 2012!

Até mais!!!

Por Kimono Vermelho (04/07/2014)

2 comentários:

  1. Olá!!

    Já ia esquecendo de ler esse diário que eu tanto gosto (puxa saco um pouco). rsrsrsrs

    Interessante o tema por você abordado aqui. Uma pena que não me enquadro, já que não escrevo livros (mas quem sabe um dia?)

    E obrigada por avisar sobre essa meia samsung na Bienal do Livro. Eu realmente desconhecia o fato e já estava triste por ter que pagar a entrada inteira porque não tenho mais carteirinha de estudante. rsrsrsrs

    Até mais

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá, Natália!

      Fico feliz que goste da seção. :)
      Eu fiquei sabendo ao xeretar o site da Bienal. XD

      Obrigada pelo comentário!

      Excluir

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