quinta-feira, 29 de maio de 2014

Diários de Uma Escritora - 29

Não sei o que os leitores (aqueles que acompanham as obras de seus autores favoritos) pensam como é a vida de um escritor.
Talvez boa parte tenha a ideia errada.

Não vivemos de glamour, de festas badaladas ou coisas do tipo. Bem, a não ser que você esteja em panelinhas "high society" para se vender e destacar mais como um brinquedo novo do que de fato como um escritor (salvo o queridíssimo Castle, de série homônima, criado por Andrew W. Marlowe).

Diários de Uma Escritora 29 - O dia-a-dia de um escritor

Mesmo eu não sendo profissional, meu dia-a-dia é focado em escrever.
Quando eu digo sobre não ser "profissional", quer dizer que essa profissão ainda não paga as minhas contas, sendo que no Brasil, um país que não é tão ligado assim à leitura, se você não tiver outro emprego ou for sustentado por alguém, morre de fome.

Atualmente a Editora Rocco propôs ao escritor Vinicius Campos um projeto de escrever um livro em um mês, só que o entretenimento não para por aí! O rapaz o fará na frente dos internautas que acessarem o hangout no momento em que ele estiver escrevendo!
Se você quiser saber mais sobre o assunto, o nome do projeto (ou desafio, como queiram) se chama Minha Vida Cor-de-Rosa #SQN [só que não].

Achei a proposta bem interessante, mas não fiquei animada para acompanhar.
Soa mais bacana para as pessoas que não escrevem ou não têm essa meta na vida, assim se divertindo mais ao descobrir como surgem ideias para personagens, tramas e etc.
Eu sei como uma história surge, como os personagens nascem, como as cenas se desenvolvem em momentos que você menos espera... Para mim acompanhar alguém escrevendo não é novidade, já que eu faço isso todo dia.
No fim, sinto muito, mas todos os escritores seguem o mesmo caminho por mais que peguem atalhos distintos ou embarcações curiosas. A criatividade é uma coisa fantástica.

Claro que existe o fator "as pessoas vão dando o seu pitaco", no entanto, acaba ainda se assemelhando às novelas quando alguns autores decidem escutar seus espectadores e mexerem na trama como eles pedem.

Não estou dizendo que o projeto é ruim nem nada do tipo, pelo amor de Deos Matoba, não confundam azeite de oliva com óleo de soja, porém, que o público é outro.

Eu sou do tipo intuitivo, "sem muita disciplina". Não tenho uma faixa de horário programada todo santo dia, não me forço a escrever quando não tenho ideia do que fazer e quando estou inspirada escrevo até a exaustão (leia: sono).

É recomendável ser esse tipo de escritor? Não.
Eu ligo? Não.

Se eu programar um horário terão dias que não poderei cumprir por causa do trabalho, da família ou de qualquer outro compromisso chato. O que eu tenho mais ou menos como melhor horário é o final da noite e madrugada. Primeiro e mais importante fator: o mundo inteiro está dormindo e a chance de acordarem para me atrapalhar é mínima. Segundo: o silêncio mortal (tirando os dias em que tocam funk na vizinhança). Às vezes rola de escrever de manhã (o que é raro, mas delicioso) ou de tarde (que sempre me dá uma sensação estranha e boa).

Felizes os escritores que se forçam a escrever e suas histórias não ficam uma bela de uma droga quando eles revisam.
A quantidade de vezes que segui esse método babaca acima fui obrigada a deletar páginas e mais páginas por ver o lixo que fui capaz de criar só para "não deixar de escrever".
Se não for para fazer algo bom, não faça! De porcaria já bastam esses livros inspirados em fanfics retardadas!

Normalmente quando a criatividade está aflorada eu escrevo até meu cérebro não entender mais o que estou digitando. Sei que no dia posterior, quando eu revisar, vou perceber que comi palavras, que algumas frases ficaram sem sentido e que troquei uma ou outra fala de personagem, ainda assim o texto estará mais digno do que no modo "ainn tem que escrever, porque fulano diz que tem ser assim".
Sou defensora do "faça o que você acha que funciona", por isso aconselho os novos escritores a lerem todas as dicas que encontrarem na internet ou em revistas e filtrarem o que serve para eles. Não adianta nada eu me moldar no que alguém comentou que funcionou para depois me frustrar e não gostar do que fiz. Um escritor também tem que ter personalidade para assumir o que é e trabalhar em cima do que pode fazer de bom.

Ideias de cenas, personagens e tramas podem vir a qualquer momento, em qualquer lugar. Seja no troninho de casa, no trânsito, no banho, em uma viagem, observando uma linda paisagem, em uma rodinha de amigos, na zoeira...
Para vocês terem noção de como a coisa surge quando ela quer e não quando você deseja, eu passei de carro por uma rua escura e deserta, foi menos de um segundo que eu a vi e tive a ideia de fazer um romance policial. Não tinha nada demais naquela rua, só isso, e ainda assim minha mente insana disse em alto e bom tom: "rola um romance policial assim, assado e cozido". Aí eu só precisei lapidar o diamante. 

Nem tudo é "ah, eu queria escrever uma história que tivesse isso e aquilo e mais isso e blá blá blá". Escrever não é uma ciência, é uma arte.

Também não sou do tipo que comenta muito sobre meus projetos de livros nas redes sociais (normalmente falo sobre contos que farei para os blogs). Não sei se é falta de orgulho em expor ao mundo o que escrevo ou se gosto de manter a discrição para surpreender depois.
Olho alguns novos escritores super animados, uma parte até se vangloriando sobre isso ou aquilo, e não compreendo muito bem. É engraçado, bonitinho, mas não parece fazer muito sentido.
Ao meu ver talvez soe como uma motivação, principalmente quando alguém comenta. Se fizer bem e a pessoa não ficar dependendo disso para se manter com o alto astral, então deve continuar.

Sabe aquela frase que nossos avós, pais e tios vivem falando "nada que uma boa noite de sono não resolva"? Muitas vezes é preciso dar um tempo naquele texto que chegou em um ponto que você não consegue sair. Gasta-se mais tempo quebrando a cabeça, e causando-lhe dor, pensando em uma maneira de encontrar a saída do que dando um tempo para refrescar as memórias.
Há quem diga que você deve parar no momento em que as ideias ainda fluem. Segui essa joça e ferrei um texto inteiro, porque não continuei na hora em que as coisas ainda estavam funcionando, ou seja, perdi uma grande oportunidade.

Quando você empaca na história encontra uma grande oportunidade para revisá-la, ver o que você pode mexer e se talvez não seja melhor começar tudo de novo. Uma trama não pode ser levada na preguiça, pois logo se desgasta e perde o sentido. Se for necessário recomeçar, o faça.

Em suma, o dia-a-dia de um escritor é escrever e usar todos os recursos que têm em mãos, como pesquisas de internet, livros e, claro, o instrumento mais importante de todos, sua mente fascinante.

Nos vemos no próximo Diários de Uma Escritora!

P.S.: Desisti de explicar que "abandonei" este blog por conta da versão amarela, já que a culpa é minha mesmo... AH! Eu vou mudar de novo o layout do Kimono Vermelho, porque estou insatisfeita. Então esperem novidades...

Por Kimono Vermelho (29/05/2014)

4 comentários:

  1. Olá!!

    Adoro esses Diários de uma Escritora. Bah, como se eu fosse uma... Só escrevo resenhas e críticas para o meu blog e quem sabe não posso fazer disso meu ganha pão algum dia? Seria legal.

    Me identifiquei em diversas partes, como quando não aproveitamos uma ideia ou quando forçamos a cabeça demais e só sai merda, literalmente falando. rsrrsrsrs

    Não gostaria de acompanhar um escritor criando, prefiro acompanhar a criação já criada. rsrsrsrs

    Sei que não deve ser nada fácil. Inclusive, ter essa arte como profissão não é difícil só aqui (embora a situação literária do Brasil esteja um pouco pior, pois falta as editoras apostarem no nacional)...

    Bom, vou indo

    Até mais

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    1. Olá, Natália!

      É o famoso "é só correr atrás" (seja para tornar um blog o seu ganha pão - torço para que você alcance esse objetivo - ou ter alguma fama como escritor aqui). E quando eu digo isso não é simplesmente correr feito um doido de um lado pro outro, e sim buscar alternativas, fazer contatos e dar o sangue e os neurônios para atingir o objetivo. Fácil não é, mas a gente vai tentando, certo?

      Obrigada pelo comentário!

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  2. Saudações


    A palavra "pressão" para um escritor tem uma premissa forte e repleta de estigmas... Aliás, não apenas para o escritor em si.

    A proposta citada em seu post parece ser bem interessante, mas mesmo que eu pudesse eu não acompanharia. Apesar do fator "desafio" ser forte em tal, em algum ponto parece que perderá-se o prestígio, pois a leitura final poderá sofrer do mal que chamo de "perda da graça".

    No mais, são pontos interessantes e que valem uma analisada mais profunda em tais.


    Até mais!

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    Respostas
    1. Olá, Carlírio!

      Acho que a "pressão" e a obrigatoriedade até para entregar um trabalho de escola/faculdade define o quanto a pessoa vai sentir prazer ou dor com aquilo.
      É verdade! Está aí uma coisa que ainda não tinha pensado, que a história perderia certa graça por você ter acompanhado tanto o processo. E concordo, porque eu me desmotivo rápido com o que já foi visto (por exemplo: spoilers de coisas que gosto sempre acabam com a felicidade).

      Obrigada pelo comentário!

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