quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Kimono Vermelho no Evento das Maravilhas - Parte 1

Passei por algumas aventuras para chegar até a Bienal do Livro e vou narrá-las agora para vocês.

Tinha tudo para dar errado 
Quarta feira, dia 15 de Agosto de 2012... Impossível esquecer essa data por "N" motivos, entre eles, uma dor de garganta demoníaca que me acometeu de madrugada e prometeu não me largar antes da ida à Bienal do Livro. Junto com ela vieram à febre e o entupimento do nariz.



Eu tinha ficado doente da noite para o dia. Tive a incrível capacidade de ficar doente da noite para o dia. Imaginem como me senti.
Acovardei-me e pensei "daqui a dois anos tem outro", "minha lista de livros não é essencial", "vou ficar em casa doente curtindo a fossa e praguejando contra o mundo".
Minha mãe me incentivou com um "força na peruca" e obviamente com um comprimido para atenuar a dor de garganta.
Certo. Preciso ter pessoas mais corajosas que eu ao lado, porque ADORO desistir fácil quando o assunto é sair de casa. Foi assim que dei bolo em todas as festas dos colegas da escola. Só que nesse caso a covardia se chamava preguiça.

O plano era sair às duas da tarde, mas a carona chegou um pouco atrasada e o trânsito, mesmo fora do horário de pico num dia de semana, estava incrivelmente pesado.


Eu não sou uma pessoa de sorte abundante. A sorte só chega com muito esforço como se me repudiasse.
Pisei no evento eram exatamente quatro horas e quinze minutos. Ok, já que eu pensava em ficar até o fechamento do evento.

O dia estava ensolarado, o que me agradava demais, porque doente como estava, se o tempo estivesse frio, era capaz de eu ficar PIOR.
A bilheteria estava deliciosamente vazia, ao contrário de 2010, e não tinha NENHUMA FILA para entrar na Bienal. Fiquei tão feliz com essas duas situações que poderia até dançar Kuduro (a versão de Don Omar com Lucenzo) ali no meio.

Fui incumbida de três missões: tirar fotos, comprar meus livros e escrever sobre a Bienal. Agora posso falar mission accomplished (missão cumprida).

Antes de comentar melhor sobre o evento, tenho algumas considerações importantes sobre os posts e novidades...
Como tenho muitas fotos e não sei se o Blogger vai encrencar com o tamanho do post, vou dividi-lo em dois: este contando tudo e o outro com fotos e alguns comentários.
Diários de Uma Escritora deste mês será especial por causa da feira, voltando ao tema principal em Setembro.

Bienal do Livro: Primeiras Impressões
Entrada... Linda, né?

Detalhe no teto
Pensei que choraria, que ficaria feito criança em loja de brinquedo, contudo, não me deslumbrei. Estava tão focada para fazer as fotos que não prestei atenção em muita coisa. MUITA coisa. 

Um detalhe que me chamou a atenção foi que as letras dos estandes no mapa da feira correspondiam às ruas. É óbvio? Sim, claro, só que em 2010 eu não tinha prestado atenção e nesta edição eu fui mais como aspirante a jornalista do que como consumidora.

Não fui uma jornalista de verdade, porque me faltam faculdade, diploma e experiência.

Deixei passar o estande da USP com o acervo da biblioteca e até hoje quero bater minha cabeça na parede por isso. Lá você podia se cadastrar para ter acesso ao acervo online. Estou depressiva. Aliás, o estande estava próximo à praça de alimentação e bem ao lado da Editora Juruá, conhecida por seus livros técnicos sobre perícia, segurança pública, adoção e outros assuntos.
Estande da Editora Juruá

Ah, se arrependimento matasse...
As ruas estavam sem trânsito, ao contrário da cidade lá fora.

Vi no Twitter algumas pessoas reclamando sobre a dificuldade de mobilidade, só que elas foram no final de semana, o pior período para se ir em qualquer evento.

Eu sei que nem todo mundo tem como ir no dia da semana, porém mais uma vez eu reforço a minha dica: se puder, não vá no final de semana.

Falando sobre mobilidade, vi pelo menos cinco pessoas circulando com aqueles carrinhos especiais para quem tem deficiência física e fiquei contente por perceber que elas não foram excluídas e podiam andar tranquilamente pela feira sem precisar de ajuda ou passar por dificuldades. O que poderia ser um pouco chato, não pela infraestrutura do Anhembi, mas pelos estandes, é que parte deles não tinha rampa, contava apenas com pisos elevados e seus degraus.

Aliás, o piso elevado colocado sobre o Anhembi trouxe um pouco de incômodo pelos tampões soltos que faziam barulho quando você passava por eles ou a diferença de elevação em alguns locais. Nada que realmente comprometesse a feira, só que poderia gerar tropeções em pessoas idosas e crianças desavisadas. O perigo mesmo fica por conta dos enormes pilares de sustentação da estrutura que tinham parafusos sobressalentes e que poderiam machucar quem tropeçasse ali ou roçasse a perna sem cuidado. 
Aglomerados sim, lotação não

Ruas trafegáveis só mesmo na Bienal!
Não sei quantas horas se passaram, porque o relógio era o que menos importava naquele paraíso, mas a minha prioridade foi tirar fotos da Bienal antes de começar a minha caçada pelos livros. 

Infelizmente eu não prestei atenção em 2010 na feira e tampouco pensava que teria um site para falar sobre, então não me recordo de palestras, disposição dos estandes, beleza, praticidade, etc. Nesta edição, a programação estava bastante interessante, contudo, não participei de nada. Um dos motivos, que descobri lá no meio da farra, é que eu tinha um aniversário aleatório para ir. Odeio pessoas que fazem aniversário no dia que estou namorando a Bienal do Livro

A minha seguidora Anne, pediu para que eu tirasse uma foto do trono de ferro de Game of Thrones, série produzida pela HBO sobre os best-sellers de George R. R. Martin. Tirei algumas fotos, rezando para que nenhuma ficasse desfocada e aí está o resultado...
Estande da Editora Leya

O trono de ferro

Os livros de George R. R. Martin
Só sei que depois de completar essa missão especial, fiquei mais aliviada. 

Fui atrás de informações em algumas editoras sobre como novos autores podem enviar seus originais e essa informação estará no Diários de Uma Escritora deste mês. Então fiquem de olho, novos escritores!!! 

Um seguidor do Twitter reclamou sobre o atendimento e os descontos pobres, e também vi outra pessoa reclamando sobre mau atendimento. 

Bem, isso não aconteceu comigo, porque fui bem atendida em todas as editoras que entrei e achei os descontos ótimos. Um dos livros saiu por R$ 10,00 e originalmente custava R$ 30,00. Talvez vocês pegaram os piores vendedores nos piores momentos. 

Também depende da abordagem do cliente. Eu cheguei falando "boa tarde, moço/moça, eu gostaria de ver o livro X, vocês têm?". Quando a pessoa está de costas, chegue perto dela e coloque sua mão levemente no ombro ou nas costas da pessoa, logo falando "com licença". Não adianta chegar com a cara brava ou cutucar a pessoa já perguntando pelo livro. É questão de educação e perceber que a pessoa já está há umas senhoras horas trabalhando e tendo que aguentar outros consumidores tão irritantes quanto você. Além do mais, um sorriso deixa qualquer situação mais leve. Não adianta ser impaciente e rude. 

Fui mal atendida em 2010 no estande do Senac. Confirmo minha parcela de culpa, porque eu estava apressada e não fui tão cordial quanto fui este ano. 

Nesta Bienal, eu saí da lista, porque os livros me seduzem independente de eu ter dinheiro ou tê-los listado. E o atendente foi muito simpático me explicando um pouco mais sobre o título e me mostrando também uma segunda versão complementando a primeira (Armazém do Folclore de Ricardo Azevedo) . E antes que alguém pense que sou a rainha da beleza, esqueça. Reforço que o comportamento na hora da abordagem resulta num bom ou mau atendimento.

Tenho uma reclamação um pouco chata a fazer: não recebi o mapa da feira em nenhum momento. Espero que os organizadores não tenham deixado de imprimir os mapas por causa das árvores que precisam ser cortadas para isso. Contei com a ajuda e simpatia de um rapaz descendente de asiáticos do estande da Alto Astral para encontrar a Rocco (precisava de uma foto da editora por causa de um post). Ele foi muito gentil ao ir comigo até o estande e ainda perguntou "É por causa do livro Jogos Vorazes (Suzanne Collins)?" - Imaginem a minha cara quando respondi que era apenas por causa de uma foto? Devo ter dado alguns minutos de riso para ele naquele dia.

Outra coisa chata que acabou me atrapalhando em alguns momentos, foi editoras que faziam seus funcionários irem até os visitantes e insistirem de uma forma constrangedora para que fizéssemos assinaturas. Isso aconteceu comigo no estande da Editora Abril, da revista ÉPOCA, da Panini (que tinha dois estandes pequenos só para isso)... Sinceramente, um comportamento desagradável e que não deveria ser repetido, pois polui um evento tão lindo quanto a Bienal do Livro.
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Vamos falar de coisa boa? Vamos falar de Top T- DE COMPRAS!!! 
Sim, comprei só isso. Acreditem...
Lembram do Kimono Drops com o meu aquecimento para a Bienal? Pois bem, quero falar daquela pequena lista de livros que fiz.
Eu fui animada para a Editora Companhia das Letras no intuito de "tome o meu dinheiro, não me importo em dá-lo a vocês" por causa do box lindo de Jorge Amado, só que lá descobri que era uma edição limitada que já tinha acabado.

Bem, para quem não sabe, é capaz de você não encontrar os livros que quer na Bienal, porque eles podem não ter levado por não considerar uma obra que tenha uma alta vendagem, lembre-se disso. Estou comentando esse detalhe que deveria ser óbvio, porque vi algumas pessoas frustradas no Twitter, reclamando de editora. Temos que lembrar que eles não podem levar livros que fiquem trancados no estoque e ninguém vá procurar/querer/comprar. É questão de negócios, de vendas, de ganhar dinheiro. Sejamos mais racionais e menos emocionais, certo?

Em compensação, o vendedor me mostrou duas versões de Gabriela, Cravo e Canela (Jorge Amado), um livro que eu queria comprar de qualquer jeito. Tinha a versão de "luxo" com orelha, capa melhor, papel melhor, só que o preço era um pouco salgadinho. E tinha a versão econômica.

Nunca me arrependi tanto de ser pão dura. Pessoal, dica fundamental: entre a versão de luxo e a versão econômica, 
NÃO LEVE A ECONÔMICA. Eu me deparei com erros feios de revisão que para mim são inadmissíveis, mas que para outras pessoas talvez possam ser ignorados. O primeiro erro foi a letra minúscula em "São Jorge" (são Jorge) e o "por" com acento circunflexo (pôr), sendo que o livro foi "editado" segundo a Nova Reforma Ortográfica (que na minha opinião, foi a maior besteira que o ex-presidente Lula fez em todo o seu mandato). Deixou muito a desejar essa versão econômica. Fiquei muito arrependida.

Eu queria também levar Tieta do Agreste (Jorge Amado), só que o preço estava tão salgado quanto à água do mar.

Apesar de tudo isso, fui bem atendida e senti que o vendedor percebeu que sou obcecada por livros, pois quis me oferecer outros títulos. Neste caso, é bom você deixar claro o que quer e cortar esse tipo de conversa, SEMPRE COM EDUCAÇÃO, não se esqueçam disso.

Depois fui atrás de Dercy de Cabo a Rabo (Maria Adelaide Amaral) na Globo Livros e novamente fui bem atendida. A vendedora, coitada, teve trabalho para achar o livro, porque vira e mexe com a criançada pelo evento, elas tiram as obras do lugar. Está aí uma coisa a ser ensinada para as crianças que vão pela visitação escolar: elas devem ser educadas e não ficarem tirando as coisas do lugar. <- Lição para os pais e a escola passarem aos estudantes!

Passei na Publifolha para comprar um livro da lista antiga: Filhos gêmeos - Saiba tudo sobre gemelares: gestação, primeiros dias de vida, desenvolvimento e educação (Renata Dejtiar Waksman e Cláudio Schvartsman). Antes que façam alarde: não, eu não estou grávida, mas o mundo dos gêmeos me fascina. Tenho alguns casos na família.

As prateleiras brancas do estande tinham em suas laterais, capas de livros impressos como se fossem pôsteres e um deles me chamou a atenção: Mitos e Lendas em detalhes - As mais fascinantes histórias do mundo examinadas e reveladas (Neil Philip). Na verdade, o dragão na capa me chamou MUITO a atenção e como eu adoro mitos, resolvi comprar. Ali pertinho dele encontrei um livro que quase me fez chorar no meio da Bienal e que fez a minha mãe ficar assustada (tadinha, não sabia o nível de doença que a filha tinha por livros, agora ela sabe): História Ilustrada do Vestuário (Melissa Leventon).
O que esse livro tem de mais? Bem, ele é importante para as minhas pesquisas. Eu não sabia da sua existência e quando vislumbrei algo que poderia me dar muita dor de cabeça durante as pesquisas pobres pela internet, bem ali na minha frente, ao meu alcance... Quase chorei copiosamente. Ia ser a maior vergonha alheia, mas ele merecia.
É difícil explicar esse tipo de situação a pessoas comuns que no mínimo se emocionam com novelas. Talvez apenas escritores ou arqueólogos cheguem perto da compreensão dos meus sentimentos.

Enfim, antes que eu comece a chorar escrevendo este post, vamos falar do atendimento... Sim, também fui bem atendida e começo a me perguntar como algumas pessoas não foram...

Depois fui na Saraiva (livraria) correr atrás do meu tão esperado Chocolate Amargo (Gordon Ramsay), só que o atendente, que também foi simpático comigo como todos os outros, disse que eles não tinham.

Vi O Semeador de Ideias (Augusto Cury) dando sopa por ali, no entanto, estava com medo de ficar sem dinheiro, então o deixei quietinho onde estava.

Pobre tem uma ligação tão forte com dinheiro que precisa estar hipnotizado para gastá-lo. *meu quase caso*


Na Editora Ática, uma enorme reprodução do livro Armazém do Folclore (Ricardo Azevedo) me chamou a atenção, principalmente, porque no Twitter, alguns dias antes, tínhamos comentado sobre folclore brasileiro. Ainda acho que a abordagem do nosso folclore é um tanto infantil e falta instigar os brasileiros a amarem sua cultura que é muito mais vasta que um carnaval com bundas, samba ou praias.

E terminei a minha peregrinação na Comix Books procurando por Black Bird #13 (Kanoko Sakurakouji) e Black Butler #1 (Yana Toboso), ambos mangás da editora Panini Comics. Eu estava animada, pois no dia anterior no Twitter, anunciaram que em 15 de Agosto, Black Butler estaria nas bancas paulistanas.

De fato, promessa cumprida da Panini. Só o que eu não encontrei na Comix foi o Black Bird #13 e não fiz questão de andar até o estande da própria editora por causa do cansaço (lembre-se, eu estava doente e não sentei um segundo sequer durante a andança de quatro horas), da dor de garganta, do remédio que tive que tomar no meio da Bienal.

Ah sim, também fui muito bem atendida na Comix Books e informada que Black Butler (Kuroshitsuji no original) estava vendendo feito água pela intensa procura. O que me deixa um pouco chateada é saber que o mangá foi impresso com a data de Julho/2012 e demorou um mês para chegar às mãos do público.

De qualquer forma foi um dia delicioso, onde entrei um pouco mais das quatro da tarde e saí um pouco mais das oito da noite.

Sinto que com uma credencial eu poderia ter frequentado o local mais vezes durante a semana e ter feito algumas entrevistas... Bem, vamos deixar para a 23ª Edição para eu me preparar mais e com antecedência.

Gostaria de pedir desculpas pela demora em fazer este post, mas só me recuperei totalmente da gripe (ou seja lá o nome que aquela doença demoníaca tinha) de segunda para terça desta semana.

E aí: qual a sua opinião sobre a Bienal do Livro e a influência dela sobre os leitores?

Por Kimono Vermelho (22/08/2012)

2 comentários:

  1. ÓÓ~ Mais um ótimo post da futura best-seller do Brasil! Fui na Bienal também, cheguei era 11:00 fiquei meia hora na fila 11:45 já estava no evento, andei muito por lá, sempre fui bem atendido, claro que tinha os chatos que "empurravam" em você as "assinaturas", fora isso, ótimos descontos e acabei saindo do evento 17:40. Com livros na bagagem e descontos bem camaradas, 2014 estarei lá novamente.

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    1. Oh o exagero... Não vamos comemorar antes da vitória.
      Obrigada pelo comentário. É bom saber das experiências dos outros visitantes do evento.

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